Ramos, Cristo Nossa Esperança!

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 22/21).

Queridos internautas!

Começamos a Semana Santa. A bênção dos ramos, a procissão e a Santa Missa constituem o “portal de entrada” para a semana das semanas. Iniciamos assim o caminho com Jesus, rumo ao Calvário e à Ressurreição.

Confesso que foi com grande emoção e alegria que presidi 4 procissões de Ramos, pela primeira vez, como Pároco da Paróquia e Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus.

No sábado presidi nas Comunidades Santo Antônio e São Judas Tadeu. No domingo, presidi no Santuário e na Comunidade Nossa Senhora Aparecida. Em todas as bênçãos, procissões e missas percebi nos olhos e nas preces dos piraporanos e romeiros uma fé muito grande e admirável que nos leva a crer que o Senhor Bom Jesus continua atraindo e abençoando os fiéis e as famílias que confiam no amor Dele.

Partilho com vocês 3 palavrinhas das muitas deste final de semana.

1. A figura de Pilatos nos chama atenção exatamente porque percebemos que dentro dele havia uma convicção de que Jesus era inocente. Porém, entre condenar um inocente ou perder o prestígio popular e conseqüentemente o poder político, Pilatos prefere se manter no poder e condenar um inocente.

A figura de Pilatos é interessante, porque nos leva a pensar sobre nós mesmo, que muitas vezes temos convicções interiores da nossa fé, mas nem sempre estamos dispostos a assumí-la publicamente por algum motivo. Estamos num tempo em que o testemunho da nossa fé faz toda diferença.

Não podemos ter medo ou vergonha de assumir e testemunhar a nossa fé. Não podemos “lavar as nossas mãos” para ficarmos bem nesta ou naquela situação. Jesus disse: “quem se envergonhar de mim diante dos homens, eu também me envergonharei dele diante do meu Pai que está nos céus”.

Não precisamos ser fanáticos, porque o fanatismo não é testemunhos; mas, precisamos ser autênticos.

2. Outro personagem a ser destacado é um dos “mal feitores” que foi condenado e crucificado ao lado de Jesus. Do alto da cruz e em meio ao seu tormento, ele reconheceu que Jesus era o Messias, o Salvador. E na última hora pediu e recebeu o Céu. “Lembra-te de mim, quando estiveres no Paraíso”. Jesus, em seguida já deu a garantia: “Hoje mesmo você estará comigo no Céu”! Santo Agostinho dizia que este, de fato, foi um “bom ladrão”. Pois, “na última hora roubou o céu”! É muito interessante a atitude deste homem, e a misericórdia de Jesus. Quando de coração clamamos ao Céu, que o Senhor se lembre de nós e da nossa família, a resposta de Jesus é imediata. De alguma maneira Ele nos atende.

3. Jesus, antes de sua morte na Cruz, recorre à Sagrada Escritura e também à oração, rezando este Salmo da Liturgia de Domingo de Ramos; “meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?”. Num primeiro momento até parece um grito de desespero ou revolta pela missão tão difícil de derramar o seu sangue, pregado na cruz.

Mas, meditando um pouco mais, podemos concluir, que neste grito de Jesus está exatamente a sua aproximação da humanidade. Ao gritar este Salmo, Jesus se assemelha ainda mais ao ser humano. Pois, no grito de Jesus está o grito do jovem que luta contra as dependências químicas ou que procura o seu primeiro emprego. Neste grito de Jesus, está o grito do pai e da mãe que sofrem por ter um filho preso ou fora de casa; está o grito da pessoa enferma, angustiada, deprimida, sem rumo na vida.

Cristo gritou por nós: “meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. E a perseverança de Jesus até a morte e morte de Cruz no ensina que o Céu não nos abandona, porque o Amor de Deus está sempre vigiando e cuidando de cada um de nós.

Boa Semana Santa a todos. Lembremos que sexta-feira, será dia de jejum e abstinência de carne. Renovemos a nossa fé, participando do Tríduo Pascal.

Deus abençoe você e sua família.

padre-silvio-andrei Pe. Silvio Andrei
Pároco